Um dia alguém me disse “eu não quero quem eu mereço, eu mereço quem eu quero.” E eu nunca me esqueci disso. 

Eu não quero alguém que nunca me traia, que nunca se chateie comigo por coisas idiotas sem ter razão nenhuma. Quero alguém que seja honesto na desonestidade e me admita ser humano e errar.  

Não quero alguém que, ao acordar, me diga “estás sempre linda”. Quero alguém que ao acordar me diga, por exemplo “foda-se, que merda de ressaca”. 

Não quero alguém que me faça sempre rir e que tenha exatamente o mesmo humor que eu. Quero alguém que as vezes seja gozado por dizer coisas ridiculas ao tentar fazer piadas, que tropece nas palavras quando quer fazer um discurso.

Não quero um modelo da Calvin Klein nem um bombeiro, quero alguém que me dê arrepios quando me toca e me faça sorrir com um beijo, tenha que aspecto tiver.

Não quero a pessoa perfeita, quero quem quero.

E por isso posso nem querer nada disto, posso querer o contrário disto. Porque não nos apaixonamos por acções, por palavras, por perfis no facebook. Apaixonamo-nos por pessoas e nunca sabemos dizer exatamente porquê. 

É só.


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Selfie because I cut and died my hair and because I don’t even care that I look like shit.
I’M THE SHIT, OKAY?
Eu e a minha irmã.
Eu, o meu tio e o meu primo (e a minha mae a espreitar ao canto), numa dessas passagens de ano. (94 para 95, talvez…! ou 95 para 96. aceito apostas.)
Eu na Expo ‘98, depois de perdida e encontrada.(Um dia conto-vos a história de como me perdi em Lisboa com 5 anos.)
Eu e a minha irmã, vou adivinhar 1994.
Eu, lá para 1998.
Sol, calções e melgas. 

Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe.

theguywithnofuckingtattoo:

Está a acontecer. Aquilo que nem nos passava pela cabeça que pudesse acontecer está mesmo a acontecer. Está a acontecer cada vez com mais regularidade as farmácias não terem os medicamentos de que precisamos. Está a acontecer que nos hospitais há racionamento) de fármacos e uma utilização cada vez mais limitada dos equipamentos. Está a acontecer que muitos produtos que comprávamos nos supermercados desapareceram e já não se encontram em nenhuma prateleira. Está a acontecer que a reparação de um carro, que necessita de um farol ou de uma peça, tem agora de esperar uma ou duas semanas porque o material tem de ser importado do exterior. Está a acontecer que as estradas e as ruas abrem buracos com regularidade, que ou ficam assim durante longos meses ou são reparados de forma atamancada, voltando rapidamente a reabrir. Está a acontecer que a iluminação pública é mais reduzida, que mais e mais lojas dos centros comerciais são entaipadas e desaparecem misteriosamente. Está a acontecer que nas livrarias há menos títulos novos e que as lojas de música se volatilizaram completamente. Está a acontecer que nos bares e restaurantes há agora vagas com fartura, que os cinemas funcionam a meio gás, que os teatros vivem no terror da falta de público. Está tudo isto a acontecer e nós, como o sapo colocado em água fria que vai aquecendo lentamente até ferver, não vemos o perigo, vamos aceitando resignados este lento mas inexorável definhar da nossa vida coletiva e do Estado social, com uma infinita tristeza e uma funda turbação.

Está a acontecer e não poderia ser de outro modo. Está a acontecer porque esta política cega de austeridade está a liquidar a classe média, conduzindo-a a uma crescente pauperização, de onde não regressará durante décadas. Está a acontecer porque, nos últimos quase 40 anos, foi esta classe média que alimentou cinemas, teatros, espetáculos, restaurantes, comércio, serviços de saúde, tudo o que verdadeiramente mudou no país e aquilo que verdadeiramente traduz os hábitos de consumo numa sociedade moderna. Foi na classe média — de professores, médicos, funcionários públicos, economistas, pequenos e médios empresários, jornalistas, artistas, músicos, dançarinos, advogados, polícias, etc. —, que a austeridade cravou o seu mais afiado e longo punhal. E com a morte da classe média morre também a economia e o próprio país.
E morre porque era esta classe média que mais consumia — e que mais estimulava — os produtos culturais nacionais, da literatura à dança, dos jornais às revistas, da música a outro tipo de espetáculos e de manifestações culturais. É por isso que a cultura está a morrer neste país, juntamente com a economia. E se a economia pode ainda recuperar lentamente, já a cultura que desaparece não volta mais. Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe.
Durante a II Guerra Mundial, quando o esforço militar consumia todos os recursos das ilhas britânicas, foi sugerido ao primeiro-ministro Winston Churchill que cortasse nas verbas da cultura. O homem que conduziu a Inglaterra à vitória sobre a Alemanha recusou perentoriamente. “Se cortamos na cultura, estamos a fazer esta guerra para qué?” Mutatis mutandis, a mesma pergunta poderíamos fazer hoje: se retiramos todas as verbas para a cultura, estamos a fazer este ajustamento em nome de quê? Mas esta, claro, é uma questão que nunca se colocará às brilhantes cabeças que nos governam.

Nicolau Santos.

Chorei.


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Here comes the sun. (: